Serra da Mantiqueira - Campos do Jordão
Cultura, História

O Oyaguara e Campos do Jordão

O sertanista Gaspar Vaz da Cunha foi o primeiro homem branco a pisar em Campos do Jordão. Por volta de 1703 ao por os pés na região se deparou com belas paisagens e tribos indígenas. Bruto e cruel, como a maioria dos bandeirantes, Cunha logo passou a ser chamado de “Oyaguara” (algo como cão feroz ou lobo) pelos índios.

Va i encarar? - A monstruosa cadeia de montanhas era repleta de onças, Oyaguara e sua bandeira toparam o desafio.

Va i encarar? – A monstruosa cadeia de montanhas era repleta de onças, Oyaguara e sua bandeira toparam o desafio.

Apesar da falta de compaixão demonstrada com os indígenas, Oyaguara é uma figura importante no descobrimento de Campos, uma espécie de primeiro agente de turismo da história da cidade.

Atraído pelo ciclo do ouro, Oyaguara permaneceu pouco tempo em terras jordanenses e logo migrou para seu destino final, a região de Itajubá no sul de Minas Gerais. Chegando lá contou extasiado aos mineiros sobre a exuberante natureza , o multicolorido das flores silvestres, a elegância dos pinheirais, as águas das cachoeiras, o frio cortante e o impressionante céu azul. “Um paraíso na terra”, teria dito.

Araucárias por Rainer Brockerhoff.

Céu de Campos - Em meados de 1700 começou seu fascínio sobre os homens.Foto: Araucárias por Rainer Brockerhoff.

Na esteira de Oyaguara Campos ganhou seu primeiro morador

As aventuras de Oyaguara chegaram aos ouvidos de outros bandeirantes que se lançaram pelo caminho aberto pelo sertanista, mas nenhum ousou estabelecer moradia até a chegada do taubateano Inácio Caetano Vieira de Carvalho, que 70 anos depois de Oyaguara subiu a montanha e fundou a Fazenda Bom Sucesso onde estabeleceu moradia durante 18 anos com sua família.

Homenagem à Oyaguara

Graças à trilha aberta por Oyaguara o alto da Serra da Mantiqueira começou a ser povoado. Não à toa um dos poucos monumentos históricos de Campos do Jordão presta homenagem à figura de Oyaguara. Na vila Abernéssia, centro comercial de Campos do Jordão, uma estátua localizada na Praça Julio Domingues Pereira, mais conhecida como Praça da Telefônica, presta homenagem ao desbravador.

Monumento em memória do bandeirante Gaspar Vaz da Cunha, o Oyaguara.

Monumento em memória do bandeirante, em Campos do Jordão. Foto: Acervo do historiador Edmundo Ferreira da Rocha.

A estátua originalmente faria parte de um monumento cuja pedra fundamental foi inaugurada em 1959, o “Marco das 4 Nações”, em homenagem aos desbravadores das mais altas nascentes de águas brasileiras que desembocam no Rio da Prata. Mas com a obra inviabilizada um ano depois do início dos trabalhos, a única estátua aproveitada foi a do Oyaguara, que um ano depois foi instalada na praça que ocupa hoje, onde está desde 1961.

Aah se essa estátua falasse, certamente teria muitas histórias para contar sobre os últimos 50 anos de Campos do Jordão.

Oyaguara – Se essa estátua falasse, certamente teria muitas histórias para contar sobre os últimos 50 anos de Campos do Jordão.

Assim a bravura de Oyaguara se fez presente mesmo depois da morte. A sua estátua sobreviveu ao cancelamento da obra do monumento e hoje é uma testemunha discreta da história moderna de Campos do Jordão. Discreta porque muitas vezes o marco passa despercebido por moradores e turistas em meio ao corre-corre do dia a dia, mas há mais de 50 anos a estátua está lá no centro de Abernéssia, imponente e altiva, uma posição justa àquele que foi o primeiro espectador e garoto propaganda desse paraíso na Terra que é Campos do Jordão.

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