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Api-Levy: O mel de Campos do Jordão

“Fui para os bosques viver de livre vontade, Para sugar todo o tutano da vida… Para aniquilar tudo o que não era vida, E para, quando morrer, não descobrir que não vivi!” --Thoreau

“Fui para os bosques viver de livre vontade. Para vivenciar apenas o que é essencial para a vida. […] E para, quando morrer, não descobrir que não vivi!” — Thoreau

A natureza tem muito a nos ensinar, sempre.  Com isso em mente o célebre escritor americano Henry Thoreau, aos 27 anos, se mudou para uma cabana no meio da floresta. O motivo: O escritor queria viver uma vida mais significativa. Da experiência contemplativa de observar a natureza e estudar a si mesmo, escreveu seu livro mais conhecido, “Walden”, um tratado autobiográfico na contramão do consumismo e do american way of life, com ensinamentos sobre a natureza e o respeito à liberdade individual e aos direitos à diferença e à diversidade.

Uma vida mais significativa

O mesmo motivo que levou o famoso escritor a ir viver na floresta, também fez com que o casal Paulo Levy e Cláudia Levy em meados dos anos 80, recém-formados na universidade, se mudasse para Campos do Jordão. Vindo de São Paulo, o jovem casal queria constituir família em meio à natureza. E o local escolhido para fixar novas raízes foi o Vale dos Mellos, uma bucólica comunidade rural da cidade.

Vale dos Mellos – Campos do Jordão – SP

Viver da natureza

Thoreau nos conta em “Walden” que tudo que precisava a natureza lhe proporcionava, de tranquilidade à alimentos. Corta para Campos do Jordão em plenos anos 80, o casal Levy se vê num dilema, viver do que? A resposta assim como ocorreu à Thoreau veio logo, teriam que sobreviver da natureza. Mas as necessidades financeiras de uma família nos anos 80 eram bastante diferentes das necessidades de um escritor solteiro vivendo da natureza no século XIX. Eles precisariam de mais que apenas frutas e verduras advindos da natureza para viver. Precisariam de uma fonte de renda.

Mas tinha que ser algo que não agredisse a natureza, algo sustentável e que viesse ao encontro da vida significativa e sem luxos supérfluos que viviam. Diferente de algumas aranhas que do suco das flores fazem veneno, teriam que fazer algo bom da natureza, algo como o mel das abelhas. Eureka! Era isso que iriam fazer, viver como abelhas, melhor dizendo, viver de abelhas.

Expertise - Paulo Levy trabalhou desde jovem com apicultura. Aos 18 anos, após completar o ensino médio, viajou para a Itália e lá, em 1981, trabalhou na Apicultora Porrini, na época a maior empresa de apicultura italiana. No mesmo ano, foi para a Suíça, onde trabalhou com apicultores da empresa Bosia, e se profissionalizou. Ao regressar ao Brasil fez Zootecnia na USP e direcionou o curso para a apicultura.

Expertise – Paulo Levy trabalhou desde jovem com apicultura. Aos 18 anos, após completar o ensino médio, viajou para a Itália e lá, em 1981, trabalhou na Apicultora Porrini, na época a maior empresa de apicultura italiana. No mesmo ano, foi para a Suíça, onde trabalhou com apicultores da empresa Bosia, e se profissionalizou. Ao regressar ao Brasil fez Zootecnia na USP e direcionou o curso para a apicultura.

Formado em zootecnia pela USP e entusiasta da apicultura desde a adolescência, Paulo com a ajuda de Cláudia, formada em educação ambiental, colocou então em prática um sonho antigo, construir um apiário. De 86 a 89 fizeram várias experiências com diferentes tipos de abelhas, tornando-se pioneiros na produção apícola de montanha no Brasil. E em 1990 lançaram a marca Api-Levy.

O mel de Campos do Jordão

Dos anos 90 aos dias de hoje muita história aconteceu. A Api-Levy rapidamente ganhou fama e o mel produzido em Campos do Jordão foi parar até no exigente mercado internacional. Das lojas de Campos do Jordão para lojas da Europa e do Japão. Graças à qualidade única do mel produzido na cidade. O segredo: Mel orgânico. Trabalhando com abelhas rústicas, resultado de cruzamentos entre espécies europeias e africanas, o apiário Api-Levy extinguiu o uso de agrotóxicos, antibióticos e outros medicamentos comuns utilizados na apicultura para proteger as abelhas de predadores e doenças. E sem adicionar açúcar, glicose e outros ingredientes, comumente adicionados ao mel para melhorar seu rendimento, o apiário passou a produzir um mel 100% orgânico, 100% natural. Assim, livre de quaisquer suspeitas, o mel foi muito bem recebido pelo mercado interno e externo, sobretudo, de países europeus.

Helene & Kev

Foto por Helene & Kev

Mel, uma arte!

A grande vantagem do mel Api-Levy sobre seus concorrentes é a pureza, e isso tem muitos benefícios para o consumidor. O mel orgânico produzido em Campos do Jordão, além da vantagem de ser um produto saudável, livre de agrotóxicos, açúcares industrializados e antibióticos, por exemplo, apresenta buquê e sabores mais refinados. Pouca gente sabe, mas o mel, assim como o vinho, tem suas características como cor, sabor e cheiro definidos de acordo com a região e o processo de manuseio desenvolvido na sua extração.

As flores de Campos do Jordão, devido o rico bioma natural da cidade, são um prato cheio, um verdadeiro banquete para as abelhas. Junte a isso o know-how aplicado pelos Levy na produção do mel que leva o nome da família, o resultado é um produto diferenciado. Um mel leve e muito gostoso, de perfume acentuado e coloração que vai do dourado a um amarelo bem claro, dependendo das flores que as abelhas pousaram e da estação.

Campos do Jordão Foto por Miriam Gimenes

Campos do JordãoFoto por Miriam Gimenes

De volta às origens

A qualidade do apiário Api-Levy ganhou o mundo no início dos anos 2000, o que levou Paulo Levy a firmar uma sociedade com a Bosia, a maior produtora de mel da Suíça. Os novos negócios o levaram ao Ceará, hoje um dos estados que mais exportam mel no Brasil.

Em casa, os anos 2000 também trouxeram mudanças. O casamento com Cláudia chegou ao fim. Mas a amizade entre o casal Levy segue, com cada um a sua maneira promovendo os benefícios do mel orgânico. Atualmente Paulo está à frente da empresa Cearapi Organic Honey, que exporta mel orgânico para países como Alemanha, Inglaterra, Itália, Espanha, Canadá, Estados Unidos, Japão, Holanda e Austrália.

Colmeia no Sítio do Quintal, casa do mel Api-Levy

Colmeia no Sítio do Quintal, casa do mel Api-Levy

 Já Claudia, hoje comanda ao lado das filhas o apiário Api-Levy em Campos do Jordão. O mel Api-Levy segue com o mesmo padrão de qualidade que o levou a ser considerado um dos melhores do país e do mundo. Mas a proposta do negócio foi alterada, está mais próxima dos primeiros anos da empresa. Um modelo de negócios enxuto e sustentável. Hoje toda produção de mel Api-Levy é artesanal e familiar. Entregas são feitas apenas para clientes antigos e amigos, e são realizadas por integrantes da própria família. Já turistas interessados em adquirir o mel Api-Levy o encontram apenas na loja conceito da marca, localizada dentro da propriedade da família, conhecida na região como Sítio do Quintal.

Api Levy - Apicultura artesanal e familiar

Api Levy – Apicultura artesanal e familiar

Turismo Rural

O apiário Api-Levy também promove visitas* monitoradas para turistas e grupos interessados em conhecer o processo da produção do mel em todas as suas etapas. O passeio sobre o ciclo do mel ainda conta com uma trilha leve de 15 minutos até um mirante de observação e um café com pães, quitutes e claro, o mel Api-Levy.

Que tal um  café da tarde em meio a natureza?

Que tal um café da tarde em meio a natureza?

Interessados em turismo rural também podem se hospedar na propriedade, que mantém uma pousada na qual o hóspede pode vivenciar a rotina do sítio.

Assim o mel Api-Levy segue sua jornada. Hoje um produto exclusivo e de alta qualidade, dificilmente encontrado em gondolas de supermercados e empórios. Por isso mesmo um excelente motivo para o turista visitar o apiário cercado pela natureza do Vale dos Mellos em Campos do Jordão. Não temos dúvida que até Thoreau, se ainda fosse vivo, aprovaria, tanto o mel, como o sítio.

sitio-do-quintal

#Ficaadica – A aparência cristalizada é uma característica comum apresentada por todo mel de qualidade quando produzido em regiões de alta altitude e baixas temperaturas. Mas uma vez aquecido o mel volta a ter aquela aparência líquida de mel que temos na cabeça e que sempre termina em cima de uma panqueca, waffle ou torrada. Hmmmm!

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Sítio do Quintal | Api-Levy endereço: Rua do Mota, s/n, Bairro dos Mellos, Campos do Jordão
telefone: 3662-1091
* As visitas ao apiário podem ser agendadas em qualquer dia da semana. Horário Comercial.

Saiba mais: Conheça outros destinos de turismo rural em Campos do Jordão. Confira o nosso especial, clique aqui.

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